Com pulso firme, Cristina leva o leitor a um passeio por aqueles nichos que nem sempre gostamos de visitar. São pedaços de vida bem estruturados, cirurgicamente fatiados, que vão nos mordendo descargas elétricas. As cenas jorram de frestas finas, muito se estivessem contidas há muito dentro de alguma coisa e, de uma hora pra outra, se deixassem partir por meio de rachaduras forçadas de dentro pra fora. São golpes duros. E que também deliciam pela plenitude artística. Narradora habilidosa, Cristina fala do cotidiano, da solidão urbana, da espera, do alento. E, naquela definição de uma boa obra de arte, condensam o que há de mais importante a ser dito sobre a nossa miséria sem explicitar exatamente o que é. Na forma, as histórias têm aberturas secas e finais abruptos, - é o que se diz - os bons contos devem ser. Deixam o leitor com de boca aberta, o que talvez seja a mais importante função do artista. A gente se perturba com eles, não há sair ileso.
#Autor: Judar, Cristina
#Páginas: 152
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2015