Honoré de Balzac não foi apenas quem melhor retratou os esplendores e misérias da vida em Paris, mas também figura entre um dos seus inventores. Ele praticamente tratou de repertoriar as mais diversas situações sociais na sua humana. Escorrem pela sua tinta, a vaidade, a ambição, a vergonha, o egoísmo, do mesmo modo que a leveza, a alegria, a embriaguez da vida em sociedade. Balzac transportou os dilemas da sociedade ocidental à inteligência das frases, retratando o que ficou conhecido na cenas da vida parisiense. A breve narrativa de Balzac, Sarrasine, publicada originalmente na Revista de Paris em , é uma dessas cenas mais intrigantes. Ela ocupou diversos críticos e escritores. Georges Bataille, por exemplo, no romance O azul do céu, foi categórico ao dizer que Sarrasine é o ponto mais alto da obra de Balzac. Roland Barthes e Michel Serres foram críticos que chamaram a atenção para distintos aspectos do texto. Tais estudos, S/Z, de Barthes, e O hermafrodita, de Serres, a polissemia que passa pela ambiguidade sígnica-sexual no interior da obra de arte e que é disseminada nas mais distintas práticas do fazer artístico, pintura, escultura, música e literatura. A literatura com Balzac apresenta a rivalidade entre as demais artes, mais precisamente entre a escultura e a música. E ele é astuto o suficiente para o fazer sem reivindicar, portanto, critérios de julgamento estético. Sarrasine é um texto literário que permanece inquietante. Mantém um frescor polissêmico de textos clássicos (Barthes), cuja força interpretativa, apesar das brilhantes leituras e interpretações precedentes, sempre se abre a novas leituras. Que o leitor se deixe conduzir – embriagado e alegre – por esta “meditação material” de Honoré de Balzac que ultrapassa os problemas de gêneros para ser uma obra-prima. Eduardo Jorge de Oliveira
#Autor: Balzac, Honoré de; Francês Lima, Luis de
#Páginas: 80
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2020