Ruggero Jacobbi, enfant gaté da geração de diretores que reinventa a cena italiana no segundo pós-guerra, é um dos artistas estrangeiros protagonistas da 'renovação' do teatro brasileiro na década de , tendo ainda papel de destaque crítico teatral, de artes e literatura nos maiores jornais e revistas da época. Sua presença seminal, sua lúcida inteligência, seu enciclopédico arsenal de ideias, sua curiosidade, sua visão militante e antiparadigmática do contexto nacional e internacional da época e, finalmente, seu experimentalismo com novas mídias massivas, a TV, fizeram com que Jacobbi atravessasse fronteiras de lugar e tempo e se tornasse, com menos de quarenta anos, um mestre que 'fez a cabeça' da geração brasileira que nos seus vinte anos inaugurava a década de . A dimensão gigantesca e a dinâmica nômade de seu movimento intelectual revelam a ambição de uma hermenêutica global que ousa confrontar-se com todas as possíveis práticas e teorias em campo e que busca cânones alternativos para uma tradição sincrética, fundada na transição e adaptação perpétua entre línguas, ideias, obras e culturas viajantes: as 'nações verticais', com Jorge de Lima, onde tudo pode convergir e corresponder. Viajante humanista que entende a diáspora no sentido mais amplo, Jacobbi percebeu que sua experiência de migração bem-aventurada entre velho e novo (novo mundo, novo teatro, novos tempos…) deveria vir a ser mais regra do que exceção no futuro próximo. Sua viagem para o outro lado do oceano seria também, ele próprio anunciara em , uma 'longa viagem para dentro do teatro do século'. Essa percepção da 'transição necessária' defendida por Jacobbi, um risco e uma heresia, para a 'renovação', tem-lhe reservado um destino de profeta pós-moderno em nosso tempo de cultura global e saber criativo.
#Autor: Jacobbi, Ruggero
#Páginas: 208
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2012