Para uma apresentação deste livro, é necessário, antecipadamente, recorrer ao contexto de sua origem. Primeiro, quanto a ZAD: termo que sintetiza a expressão "Zona a ser defendida", em alusão a sigla em inglês TAZ, "Zona autônoma temporária", criado pelo escritor Hakim Bey (pseudônimo de Peter Lamborn Wilson). Segundo, quanto a localidade de Notre-Dame-des-Landes: em Nantes (França), um terreno agrícola de 1.650 hectares que se tornou conhecido no início dos anos por conta de um conjunto de pessoas o terem ocupado a fim de barrar a contrução de um aeroporto no local. Desde a década de havia planos governamentais e privados para construir um aeroporto em Notre-Dame-des-Landes, mas agricultores e ambientalistas locais se opuseram e se tornram posseiros, ocupantes "ilegais" do terreno". Durante décadas houve resistência aos planos de construção do aeroporto. Em , parte da terra foi ocupada quando seus agricultores foram despejados. Os novos ocupantes criaram estruturas autônomas e autossuficientes. As tentativas de despejo foram mal sucedidas em e . Em janeiro de , o então presidente da França, Emmanuel Macron, informou que os planos de construção do aeroporto seriam arquivados. Então, um proceso de "legalização", institucionalização, de projetos internos a ZAD de Notre-Dame-des-Landes foi empurrado pelo governo. Assim, nasce este livro, uma resposta de uma história longa de luta pela terra!Agora, uma apresentação nas palavras de seus anônimos autores:"Nós somos pessoas que escolheram ficar para viver no bocage (um espaço em que se conjugam bosques e pastos, floresta e cultivo) de Notre-Dame-des-Landes (França) depois de anos de batalhas e de ocupação. Se nós estamos para sempre enraizados aqui, é porque nós fomos possuídos por essa luta. Nós não imaginávamos nem por um segundo abandonar aqueles e aquelas que nos chamaram para viver aqui. Porque nós continuamos a atravessar uma experiência fundamentalmente nessas terras prometidas do movimento.Cinco anos após "Da ZAD aos Comunais", este texto busca: retornar às questões fundiárias que se colocam a nós, pensar nossa relação com as terras e com a Terra, continuar a explorar a hipótese de uma do bocage. Se o Estado e os inquisidores da radicalidade abstrata afirmam de acordo que tudo está acabado, é sim porque algo se prolonga. Alguma coisa de profundamente arredio aos grilhões binários nos quais eles se prenderam: violência vs não violência, legal vs ilega
#Autor: Habitantes Da Zad
#Páginas: 96
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2021