A atual República Islâmica do Irã — antiga Pérsia — representa um grande mistério para o mundo ocidental. Muitas vezes intriga, outras apavora, sempre surpreende. Protagonista estratégica da geopolítica do Oriente Médio, a nação iraniana é uma das civilizações contínuas mais antigas do mundo e um dos berços de algumas das maiores realizações da humanidade. Entre contribuições admiráveis em todos os campos — da medicina de Avicena à poesia de Khayyam, Hafez e Rumi; da espetacular arte dos tapetes à música, da primeira declaração dos direitos humanos à vencedora do prêmio Nobel da Paz; das miniaturas à refinada cinematografia; dos fundamentos de Zaratustra aos pilares do xiismo — esse é um país de faces. É na textura do universo de que é feita a cultura persa que a jornalista Lúcia Araújo mergulha, a partir de suas próprias vivências e viagens, para revelar um país tão fascinante quanto desconhecido. Como ela própria assevera: “O aporte científico e cultural da Pérsia para a humanidade é tão extraordinário quanto desconhecido. A contribuição para a beleza do mundo é infinita. É disso que trata este livro.”
O regime dos aiatolás iranianos está na meia-idade, um capítulo de uma civilização bimilenar. Eu estive lá quando explodiu a revolução de Khomeini em , no início de uma carreira jornalística em que política internacional era minha religião. Na verdade, “não estive lá”. Sempre estive nas redações, nas bancadas de estúdio de TV e no conforto do lar, o épico iraniano. Sempre li muito sobre o Irã. Garoto, ficava fascinado com a cobertura da finada revista Manchete sobre o perverso glamour do xá Reza Pahlavi e da imperatriz Farah Diba (e, o filho do casal, meu irmão também nascido em ganhou o nome de Ciro). Eu não li apenas as manchetes. Tenho prateleiras de livros sobre o Irã. Agora, a biblioteca está enriquecida com o relato de Lúcia Araújo. Como eu, Lúcia esteve lá. Leu de forma abusada sobre o Irã, leu com curiosidade incansável para decifrar os mistérios e remover o véu da mistificação. E ela diz, o Irã é um país de “ faces”. O fascínio de Lúcia não é sinônimo de deslumbramento de turista de primeira viagem a bordo de um tapete voador. Afinal, ela esteve lá mesmo, é viajada. Lúcia conhece o Irã, e agora, na volta de suas excursões e incursões, ela sabe traduzir com densidade e fluência aquela sociedade para todos nós. Um dia, eu estarei lá mesmo, mas estou feliz por esta viagem ao Irã em que Lúcia foi minha guia. — Caio Blinder, Jornalista
#Autor: Lúcia Araújo
#Páginas: 320
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2021