Bem se vê que Vera Albers é professora universitária, o que a afasta – na criação de sua literatura – da linguagem funcional que é obrigada a utilizar diante de alunos e
das urgências do convívio diário. Os fragmentos que este livro, ágeis raios, e inesperados a sua iluminação passageira, poderiam ser vistos contos, crônicas, ou momentos poéticos, a sugerir um apego a Kafka e a Clarice Lispector. Entretanto, a grande força de Vera Albers é a sua voz própria, de expressão verdadeira, fundindo-se à essência humana. A propósito, logo no segundo fragmento de Deformação, Vera se refere a Hemingway: “Mania de escrever sobre um país que não é o dele. A mesma coisa de Gorki. Não captam a essência.” Neste livro, Transcontos, nos anteriores, Vera atinge a essência das coisas e das relações entre
os seres pensantes: os raros momentos de felicidade, as transgressões, as decepções, as amarguras, o sexo inocente, o sexo culpado, o sexo inútil, as tiranias, as
traições, enfim, as deformações e surtos da vida.
#Autor: Albers, Vera
#Páginas: 160
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2021