Os versos de Pedro Lucas Bezerra constroem uma poética atravessada por visões transfiguradoras do cotidiano. A paisagem da cidade do autor, Natal (RN), marca uma geografia ao mesmo tempo pessoal e coletiva, que vai dos lugares públicos aos espaços privados e cotidianos. Becos, viadutos, as avenidas, o porto e o mar estão povoados de personagens à procura de um lugar: os trabalhadores, os marinheiros, os peixes, a musa ausente, as mulheres que cospem fogo e o próprio poeta em sua epopeia íntima. A delicadeza do cotidiano se abre para a perplexidade do sentido redescoberto ou intuído, com grande força e, muitas vezes, com contornos apocalípticos.
O poema que dá título ao livro aponta para uma poesia que se afirma um discurso de urgência sensorial, que o acaso, o prosaico e as alterações de percepção.
Como dizem os versos de “Trem fantasma”, a poesia é a linguagem de uma emudecida”, que “fala para dentro”; mas a engenharia da poesia consiste justamente em “ligar o Unívoco ao Outro”, estabelecendo uma secreta entre sensibilidades apartadas. O eu lírico, aqui, é uma voz que procura no cotidiano e na paisagem urbana a marca do sensível e daquilo que ainda está por ser descoberto.
#Autor: Bezerra, Pedro Lucas
#Páginas: 128
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2021