Um quadro mítico da história da arte francesa ganha uma análise inédita a partir do resgate da história de sua modelo e de uma perspectiva renovada da diáspora africana na época da escravidão. No quadro pintado em por Marie-Guillemine Benoist, então uma artista parisiense de 38 anos, uma jovem negra exibe uma pose ao mesmo tempo altiva e serena. A maneira a bela africana é representada procede de uma construção revolucionária, tanto do ponto de vista artístico quanto do histórico. A obra mudaria de nome algumas vezes, mudanças de perspectiva da própria história da arte, até que Madeleine, a modelo, aparece protagonista de uma historiografia renovada pelas questões da África diaspórica na época do tráfico atlântico. É essa a história que Anne Lafont quer contar. “Exposta no Louvre em , a obra foi objeto de inúmeros publicados em libelos e jornais da época. Logo, ainda seria possível acrescentar mais uma pedra ao seu edifício interpretativo, uma pedra colonial. É o que me proponho a fazer neste livro”, afirma a autora, que reuniu uma série de obras internacionais e brasileiras, de diferentes períodos, para debater o tema. A edição é toda impressa em cores. “Uma jovem negra, de pele marrom delicadamente realçada por sombras escuras, está elegantemente sentada numa poltrona estofada em tecido verde, sobre a qual repousa um xale azul. Ela tem uma aparência doce, contrastando com um pescoço altivo e um corpo vigoroso, de musculatura finamente definida. Ela sustenta a pose e ocupa seu lugar num momento da história em que a capacidade de ostentar uma postura digna e reta não era uma situação fácil para as mulheres negras de Paris.” - Anne Lafont
#Autor: Lafont, Anne; Francês Fonseca Ferreira, Ligia
#Páginas: 88
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2022