Querido JF,
Você, com seu martelo de Nietzsche, não deixou pedra sobre pedra. Você, sempre sagaz e sarcástico, com o humor que te é característico – a você e à longa tradição judaica do chiste, bem estudou Freud – revelou as entranhas ridículas e tão ternamente infantis de todos nós, sempre desejando cavar um imaginário lugar ao sol no panteão dos pretensos gênios que passam pelos templos sagrados da modernidade, as academias e institutos, que continuam criando deuses, agora terrenos, que chamam gênios e ganham prêmios nóbeis ou ignóbeis. Este livro é a dessacralização crassa da pompa e circunstância da academia.
O que eu poderia dizer? Que gostei de ter lido o livro por também ter passado um tempo em Harvard e reconhecido os prédios, as personagens, as emoções? Que me deliciei uma voyeuse com a saborosa gama de histórias desse microcosmo que você tão bem coletou? Que deveríamos te agradecer por jogar luz no labirinto das disputas, tão pequenamente narcísicas assim tão nobres, daqueles que amam decifrar o funcionamento das coisas do mundo? Mas Talvez este seja, afinal, o coração não somente da estrutura acadêmica mas potencialmente de todas as instituições que nós, primatas falantes, conseguimos botar de pé. Instituir é a arte do impossível. Mas isso é pouco e não faz jus a este livro. Nem à impostora nem a Harvard.
Quero dizer que ao ler suas imposturas, vejo também no céu as estrelas e as Norton Lectures de Umberto Eco sendo tocado pelo êxtase de uma epifania e isso me arrepia. Desconfio que foi essa luz que te tocou em algum ponto da viagem e te fez tomar uma das decisões mais difíceis da vida: se tornar escritor. Impostor do caos e da criação, sem a certeza do dinheiro e com o medo de sempre deixar de ser o que afinal nunca se tem a garantia de ser.
Deste lado do espelho, só posso te agradecer e te desejar coragem.
Ainda e sempre,
MH – Maria Homem
#Autor: Jacques Fux
#Páginas: 152
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2025