Em Verão dos infiéis, romance ambientado no Rio de Janeiro no final da década de , Dinah Silveira de Queiroz narra um fim de semana chuvoso na vida de uma família de classe média abalada por questões psicológicas, religiosas e políticas num dos períodos mais turbulentos da história do Brasil.
A trama tem início com o pedido de ajuda de Valentina ao cunhado Domingos, que só chegará à cidade dentro de três dias. Ela é a matriarca viciada em de benzedrina que, após tomá-los, se refugia no “mundo dos mortos”, no qual, em alucinações que envolvem a infância, reencontra a mãe e o tio já falecidos e tem os melhores momentos do dia. Moradora de Copacabana, seu marido, “delicado demais para viver num mundo de grosseria”, suicidou-se alguns anos antes, deixando-a com três filhos pequenos, os agora adultos Geraldo, Carminho e Aloísio, cada qual enfrentando um dilema distinto.
Numa narrativa marcada por encontros e reencontros, bem por tempestades impiedosas, a escritora constrói um enredo que segue num crescendo e atinge proporções inesperadas. Um livro que mais uma vez a genialidade de Dinah romancista versátil, capaz de surpreender o leitor com uma história envolvente e repleta de críticas sociais.
MOTIVOS PARA LER ESTE LIVRO
1. É mais um exemplo da versatilidade de Dinah Silveira de Queiroz: a autora transitou com sucesso por todos os gêneros: o romance histórico, o romance urbano-contemporâneo, a fantasia, a ficção científica e a crônica.
2. Sucesso de público e crítica na ocasião de seu lançamento, em , Dinah alcança em Verão dos infiéis a excelência de seus romances urbanos: alinhada ao
panorama político de seu tempo, à mudança dos costumes, aos diferentes estratos sociais e à linguagem popular. Nesta reedição do texto integral, foram incluídas notas e posfácio do historiador Rafael Domingos Oliveira a fim de contextualizar a obra.
3. Conjuga, com elegância e consistência, o intimismo da estética do nouveau roman, que explora fluxos de consciência dos personagens em vez de excessivas descrições físicas, com a objetividade para interpretar a realidade que Dinah adquiriu com sua longa experiência
4. Os dilemas de cada personagem se integram organicamente ao mundo exterior e às transformações políticas e sociais do Brasil da década de , sobretudo o ambiente tenso dos primeiros anos da ditadura militar.
5. E a autora consegue articular com maestria todos os arcos narrativos, que se encontram em um final surpreendente. Entre os temas, destacam-se: “as expectativas sociais e os estereótipos que afetam a vida das mulheres, o impacto das decisões da alta política no nosso cotidiano, as mazelas que afligem a cidade do Rio de Janeiro, o papel da religião, a repressão policial a manifestações populares”, nas palavras do autor do posfácio.
ELOGIO
“[A autora] consegue, de maneira magistral, um equilíbrio entre intimismo e objetividade: os dramas pessoais dos personagens se integram perfeitamente à ação exterior, e a narrativa, que três dias de um verão chuvoso na cidade do Rio de Janeiro, capta as mudanças sociais e políticas de um Brasil prestes a mergulhar ainda mais profundamente na noite escura de um estado de exceção.” — Luiz Ruffato
SOBRE A AUTORA
Nasceu em , na cidade de São Paulo, em uma família profundamente dedicada às letras. Seu primeiro livro, Floradas na Serra, lançado em , tornou-se de imediato um best-seller — a primeira edição esgotou-se em pouco mais de um mês. A obra de Dinah abrange romances, crônicas, contos, artigos e dramaturgia — e a ficção científica nacional teve na autora uma pioneira, uma vez que foi das primeiras escritoras a publicar dois livros de contos nesse gênero: Eles herdarão a terra () e Comba Malina (). Faleceu em , aos 71 anos.
#Autor: Dinah Silveira de Queiroz, Joice Trujillo, Rafael Domingos Oliveira, Fabiana Yoshikawa (Capista), Rafael Domingos Oliveira (Comentários / Notas)
#Páginas: 208
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2023