A 22ª edição da ZUM, revista de fotografia do Instituto Moreira Salles, chega às lojas com capa e ensaio da fotógrafa carioca Fernanda Liberti. Intitulado Como quem consulta um oráculo, o ensaio de Liberti reúne retratos e imagens que questionam os padrões estéticos e de impostos às mulheres. As fotos são por uma carta da escritora Stephanie Borges destinada a Liberti. Ao as fotografias, Borges afirma: “Suas imagens me remetem à audácia e ao humor, uma vez que esses corpos fora do padrão parecem se divertir ou até mesmo ignorar a câmera enquanto são fotografados.
Outro destaque da ZUM #22 é a obra do fotógrafo camaronês-nigeriano Samuel Fosso. A revista publica duas séries do artista. Em Seisseisseis (), que abre a edição, Fosso apresenta um painel de retratos de seu próprio rosto, clicadas em Paris, onde vive atualmente. Já na série Estilo de vida década de , feita em noites solitárias em seu estúdio na República Centro-Africana, Fosso encena a superação da infância difícil criando para si diferentes personagens. Em artigo sobre o trabalho de Fosso, o também fotógrafo Akinbode Akinbiyi escreve: ”Seus autorretratos, extremamente privados, eram na verdade um esforço de autocura, uma tentativa de superar os anos de vida precária, quando era tão jovem e tão solitário na florescente Bangui, e também a fome extrema da infância e as provações do conflito interminável em Biafra. Sozinho no estúdio, ele podia imaginar a liberdade, vestir as roupas que quisesse, usar óculos escuros e encenar seu próprio enredo – para si mesmo”.
No ensaio Corpoflor, a artista capixaba Castiel Vitorino Brasileiro apresenta uma série de autorretratos produzidos durante seu processo de transição de gênero. Nas imagens, que são por um manifesto autobiográfico, a artista expõe sentimentos medo, dor e tesão que irromperam durante o processo.
A revista publica também as fotografias e trechos dos diários do fotógrafo chinês Rong Rong. Entre e , Rong registrou as performances de artistas contestadores Ai Weiwei, Zhang Huan e Ma Liuming, muitas vezes perseguidos pela polícia chinesa. Essa fervilhante ficou conhecida East Village de Pequim, em referência ao bairro que reuniu a vanguarda artística em Nova York nos anos .
A artista mineira Mabe Bethônico, por sua vez, assina o ensaio Falando de lama, em que reúne jornais com notícias sobre os desastres de Mariana e Brumadinho. Na obra, a artista recorta os textos das páginas dos jornais, deixando apenas as fotografias da tragédia. Ao destacar as imagens, evidencia a lama e também as lacunas que ainda estão abertas após o desastre.
O artista e cineasta norte-americano Arthur Jafa traça os contornos de uma estética negra em colagens de seus Cadernos (), editadas especialmente para a ZUM. As obras são pelo ensaio Minha morte negra (), em que analisa as obras de Pablo Picasso, Marcel Duchamp, Jackson Pollock e Stanley Kubrick, identificando a influência africana no cerne dos movimentos artísticos do século 20.
A ZUM #22 publica ainda uma entrevista com o fotógrafo baiano Lázaro Roberto conduzida pela professora e curadora Denise Camargo. Na conversa, ele revê sua carreira e fala sobre o Zumví Arquivo Afro Fotográfico, acervo de fotógrafos afrodescendentes com o registro dos movimentos político e artístico negros baianos nos últimos 30 anos, do qual é um dos fundadores.
No ensaio Futurismos radicais, o crítico T.J. Demos ressalta a nova produção documental negra, indígena e transexual, que imagina um futuro livre da opressão e da violência colonial. A matéria conta com colagens do coletivo Black Quantum Futurism.
#Autor: Nogueira, Thyago
#Páginas: 184
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2022